Outros Sermões Juízes

GIDEÃO: DRIBLANDO O ADVERSÁRIO COM SUCESSO
Juízes 6

INTRODUÇÃO
O Nosso estudo de hoje é sobre Gideão, e como ele conseguiu driblar, enganar o inimigo. Era um “jogo” de 300 x 135.000 – um homem de Israel para cada quatrocentos e cinqüenta inimigos.

Gideão saiu vitorioso, mas como será que e por que ele conseguiu?

A história está registrada em Juízes 6-8, e o presente escrito pretende apenas ser um guia para o estudo do que encontramos nesses capítulos de Juízes, e, ao fim, sugerir algumas lições que podemos tirar. Você deve estudar com a Bíblia em punho, e, de preferência, fazer um estudo exaustivo em casa, sem deixar para a E.B.D apenas, onde o tempo será demasiadamente curto.

Passemos então ao estudo propriamente dito.

1. QUEM ERA GIDEÃO?
Gideão era filho de um homem chamado Joás, abiezrita da tribo de Manassés, que residia em Ofra, Gileade, do outro lado do Jordão. (Observação: os abiezritas eram um dos clãs da tribo de Manassés)

O povo de Israel viveu durante muito tempo vários ciclos de apostasia à opressão à libertação. A libertação vinha através de um juiz. Um juiz era mais que alguém que julgava causas, dando uma sentença; era um líder militar, libertador e governador das tribos do povo de Israel. Gideão foi um desses juízes, o quinto deles (há quem o numere como sendo o sexto, considerando Baraque, a quem a Juíza e Profetisa Débora entregou o comando das forças Israelitas na luta contra Sísera – Juízes 4.4ss – , como um juiz também)

O nome Gideão significa “lenhador”, mas ele também foi chamado de Jerubaal, que significa “que Baal pleiteie”. O nome Jerubaal ele recebeu quando destruiu o altar de Baal e os homens da cidade quiseram matá-lo por isso. Joás, seu pai, interviu dizendo que se Baal é deus, que ele contenda por si mesmo.

Em 2 Samuel 11.21 ele é chamado de Jerubesete, que significa “que a vergonha se esforce”.

Foi ele quem libertou os Israelitas da opressão dos midianitas.

2. O DESESPERO EM QUE O POVO DE ISRAEL ESTAVA VIVENDO
O capítulo 5 de juízes termina com uma nota alegre, mas ao mesmo tempo triste: “E sossegou a terra quarenta anos”. É alegre porque depois de vencidos Jabim e seu reino cananeu, que subjugavam Israel, houve um sossego de quarenta anos. Mas é triste porque foram apenas quarenta anos.

O capítulo 6 começa com um porém, que indica que alguma coisa aconteceu e mudou a situação imediatamente anterior. O que aconteceu? Está no verso 1. Veja:

Os filhos de Israel fizeram o que parecia mal aos olhos do Senhor, e o Senhor os deu na mão dos midianitas por sete anos.

Os versos seguintes, até o 6, narram os acontecimentos que fizeram com que o povo passasse a viver em uma situação desesperadora.

Leia o verso 2 – A situação chegou a um ponto tal que os hebreus tiveram que abandonar as suas casas e esconder-se em covas (que eram minas, segundo o historiador Josefo) e cavernas.

Leia os versos restantes (3-6) – Que coisa esquisita! Que crueldade! Ao que tudo indica, os midianitas, acompanhados dos amalequitas e outros, não apenas queriam obter despojos, saquear. Parece que eles sentiam prazer em ver o desespero de um povo subjugado. Eles permitiam que os hebreus trabalhassem, suassem a camisa e alimentassem a esperança de se obter uma boa colheita para aliviar a fome da nação, e, então, vinham e destruíam tudo. E, ainda por cima, levavam os animais que eles haviam conseguido criar.

O povo empobreceu muito, e então, só então, clamaram ao Senhor.

O Senhor ouve o clamor do povo e envia um profeta para lhes falar algo muito revelador: eles não estavam naquela situação porque os midianitas e demais povos que os acompanhavam eram numerosos, muito fortes e cruéis. Não! Eles estavam naquela situação porque se recusaram a dar ouvidos à voz do Senhor:

“enviou o SENHOR um profeta aos filhos de Israel, que lhes disse: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Do Egito eu vos fiz subir e vos tirei da casa da servidão; e vos livrei da mão dos egípcios e da mão de todos quantos vos oprimiam; e os expeli de diante de vós e a vós dei a sua terra; e vos disse: Eu sou o SENHOR, vosso Deus; não temais (adoreis, reverencieis) aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; mas não destes ouvidos à minha voz” (Juízes 6:8-10 RC)



A situação desesperadora não veio por causa de um povo forte e cruel. Ela veio porque, em o povo relutando ouvir as orientações do Senhor, Ele teve de recolher a sua mão abençoadora de sobre a nação.



Mas Deus ouve o clamor do povo, lhes envia esse profeta e lhes dá o livramento através de um homem chamado Gideão.



3. O CHAMADO A GIDEÃO, AS MISSÕES DE DEUS PARA ELE
E O CUMPRIMENTO DESSAS MISSÕES
Em primeiro lugar, vejamos como foi o chamado de Deus a Gideão.

Gideão estava malhando o trigo num lagar, no lugar onde se prensava as uvas, um lugar não usual para se executar essa atividade, o que, certamente, tornava a execução mais difícil. Ele malhava o trigo nesse lugar porque talvez ali os midianitas não o encontrassem e lhe roubassem o trigo.

Enquanto malhava o trigo, lhe apareceu um anjo do Senhor, talvez o próprio Senhor, numa aparição que é chamada pelos teólogos de “Teofania”. Mas, mesmo que fosse um anjo apenas, falava da parte do Senhor, como se fosse o próprio Senhor. Esse anjo, dentre outras coisas, lhe diz: “Vai nesta tua força e livrarás a Israel da mão dos midianitas...” (Juízes 6:14 RC)

Diante disto, Gideão questiona: “... com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (Juízes 6:15 RC) – ele era um homem pobre, de uma família pobre, de uma tribo relativamente pobre.

Mas o Senhor, pelo anjo, lhe garante: “E o SENHOR lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás os midianitas como se fossem um só homem” (Juízes 6:16 RC) – O problema real de Israel era a ausência do Senhor. Eles, com seus atos pecaminosos, haviam causado o afastamento de Deus. Mas agora o Senhor estaria presente.

Gideão pede um sinal (versículos 17-21). Um sinal lhe é dado, um sinal muito maior do que certamente ele esperava. O anjo do Senhor agiu de forma curiosa: ele estendeu o cajado e tocou o que Gideão estava oferecendo. Poderia se esperar que saísse fogo do cajado e consumisse a oferenda, mas não foi isso que aconteceu; o fogo subiu da rocha. Depois disso o anjo desapareceu de sua presença, e Gideão reconheceu que o Senhor o estava chamando.

Em segundo lugar, vejamos qual foi a primeira missão de Deus para Gideão.

Leia os versículos 25-32.

Geralmente, quando pensamos em Gideão, o que nos vem à mente é o fato de sua fabulosa vitória sobre os midianitas. Entretanto, não foi essa a sua única missão. Houve uma missão preliminar, não menos importante que essa.

A primeira missão de Gideão deveria ser a de dar início à destruição da idolatria, e deveria começar pelo seu próprio lar – Ele deveria destruir o altar de Baal que pertencia a seu pai e construir um altar ao Senhor.

O cumprimento dessa missão e a maneira como ela foi cumprida, bem como a reação do povo e outros detalhes mais podem ser vistos nos versículos 25-32.

Vejamos agora a segunda missão de Gideão.

A segunda missão de Gideão é derrotar o exército inimigo e libertar o povo de Israel.

Veja em sua Bíblia a partir do versículo 33 do capítulo 6.

01) A grande ameaça (v. 33) – “A sorte estava lançada”. Depois que Deus, por intermédio de Gideão, começa a destruir a idolatria na qual Israel estava vivendo, os midianitas se unem aos amalequitas e a outros povos para atacar Israel. A ameaça era muito grande. O exército inimigo era poderosíssimo. Veja Juízes 7.12. Juízes 8.10 mostra-nos que o exército inimigo era composto de cento e trinta e cinco mil homens – cento e vinte mil que caíram e quinze mil que sobraram.

Revestido pelo Espírito de Deus, Gideão toca a buzina e homens se unem a ele, e um exército é formado. Era um grande exército – trinta e dois mil homens – mas o que era isso comparado ao exército inimigo?

02) Gideão pede um novo sinal a Deus – Veja qual foi esse sinal nos versículos 36 – 40 do capítulo 6. Será que Gideão “tremeu nas bases”?

03) Deus reduz o exército Israelita (7.1-7) – Com essa Gideão não contava! Ele começou com trinta e dois mil homens, o que já era pouco; de repente, se viu com apenas dez mil, e, finalmente, apenas com trezentos homens. Não é uma ironia? Gideão, com trinta e dois mil homens, fica na dúvida e pede uma nova confirmação de Deus se Ele (Deus) livraria mesmo Israel por suas mãos. Deus dá-lhe uma resposta positiva, concede-lhe o sinal (ou sinais), e, quando então Gideão está com o exército reunido, talvez até tenha conversado ou pensado sobre algumas estratégias que envolveriam aqueles trinta e dois mil homens, vem Deus e lhe diz: “Gideão, eu vou usar você para livrar Israel, mas não com todos esses homens!”. Gideão já achava pouco 32.000, mas Deus disse que trezentos seriam suficientes. A razão estava no fato de que, apesar de Deus querer um representante humano, no caso Gideão, seria a mão de Deus quem livraria Israel e não a mão de Gideão ou do exército de Israel. A glória deveria ser dada ao Senhor.

04) O ataque (7.9-8.21) – Gideão ainda temia atacar os midianitas, e Deus lhe envia ao acampamento inimigo para ouvir um homem contando um sonho ao seu companheiro. Este sonho mostrava a vitória de Gideão sobre os inimigos de Israel.

Gideão, agora um pouco mais crente, traça uma estratégia - veja os versículo 16-18.

Eles vão à luta e... “surpresa”! Quase que não precisam nem lutar. Veja a partir do versículo 19. A estratégia deu certo! Mais certo do que Gideão imaginava e de uma maneira que ele certamente nem imaginava. Gideão driblou o adversário com sucesso, mas isso seria impossível se Deus não estivesse naquele negócio.

CONCLUSÃO
Para concluirmos o estudo, vejamos algumas lições que podemos tirar do mesmo:

1) O livro de Juízes como um todo nos mostra que a infidelidade do povo de Deus pode levar a conseqüências desastrosas – O livro narra uma série de juízos corretivos de Deus que se abatiam sobre o povo sempre que ele se tornava infiel.

Essa lição permanece hoje tão atual como na época dos juízes, e é válida não só para a coletividade do povo de Deus como também para cada servo de Deus individualmente. Dentre outros textos que poderíamos citar, destaca-se 1 Coríntios 11.30ss. onde Paulo alerta os Crentes de Corinto sobre a indisciplina diante do Senhor: “Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram (morreram). Mas, se nós tivéssemos o cuidado de examinar a nós mesmos, não receberíamos juízo. Quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo”. (NVI)

2) O arrependimento produz a misericórdia divina – ou seria melhor dizer que a misericórdia divina produz o arrependimento do homem? – Os dois pensamentos são verdadeiros. A misericórdia divina manifesta-se quando há arrependimento de nossa parte, mas ao mesmo tempo é a misericórdia divina que nos leva em direção ao arrependimento. Veja o que Paulo diz aos Coríntios: “Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” (2 Coríntios 7:9-10 RC) – Quando nos arrependemos, confessamos o nosso pecado e buscamos a misericórdia de Deus, Ele é misericordioso para conosco.

3) O homem é realmente um ser decadente – Esta é uma lição triste! O homem é extremamente sujeito a cair no pecado. No tempo dos juízes o ciclo opressão – libertação – queda se repete várias vezes. Vocês pensam que depois dessa libertação espetacular por parte de Deus o povo não caiu mais? Engano! Veja o que aconteceu: “ Assim, foram abatidos os midianitas diante dos filhos de Israel e nunca mais levantaram a sua cabeça; e sossegou a terra quarenta anos nos dias de Gideão... E faleceu Gideão, filho de Joás, numa boa velhice e foi sepultado no sepulcro de seu pai Joás, em Ofra dos abiezritas. E sucedeu que, quando Gideão faleceu, os filhos de Israel se tornaram, e se prostituíram após os baalins, e puseram a Baal-Berite por deus. E os filhos de Israel se não lembraram do SENHOR, seu Deus, que os livrara da mão de todos os seus inimigos em redor” (Juízes 8:32-34 RC) – Talvez por isso haja tantas exortações a que estejamos vigilantes...

4) Deus gosta de usar pessoas que reconhecem as suas próprias fraquezas.

5) Deus gosta de nos usar, mas ele não depende de nós e nem de nada que temos para realizar grandes feitos. Deus pode fazer muita coisa contando com bem pouco ou mesmo com nada. Veja o que diz Paulo aos Coríntios: “Agora, meus irmãos, lembrem do que vocês eram quando Deus os chamou. Do ponto de vista humano poucos de vocês eram sábios ou poderosos ou de famílias importantes. Para envergonhar os sábios, Deus escolheu aquilo que o mundo acha que é loucura; e, para envergonhar os poderosos, ele escolheu o que o mundo acha fraco. Para destruir o que o mundo pensa que é importante, Deus escolheu aquilo que o mundo despreza, acha humilde e diz que não tem valor. Isso quer dizer que ninguém pode ficar orgulhoso, pois sabe que está sendo visto por Deus.” (1 Coríntios 1:26-29 NTLH)

Walmir Vigo Gonçalves


FONTES DE ESTUDO UTILIZADAS
1) O Antigo Testamento Interpretado – Comentário Versículo por Versículo e Dicionário – R. N. Champlin - Editora Candeia.

2) A Bíblia em Esboços – Harold Willmington – Editora Hagnos